Quinta, 24 Maio 2018 18:58

Veja como foi o terceiro dia da Semana Filosófica e Teológica

Veja como foi o terceiro dia da Semana Filosófica e Teológica Imagens: Assessoria Cúria Provincial

Foi realizado ontem, 23 de maio, no auditório do Instituto São Boaventura o ISB, o terceiro dia da Semana Filosófica e Teológica, que tem como tema “O Pontificado do Papa Francisco”. O doutor em História Geral pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e em História da Igreja pelo ISB, Sérgio Ricardo Coutinho, apresentou a palestra sobre “Os 5 anos do papado de Francisco à luz dos 50 anos de Medellín”.

Durante a sua exposição, Sérgio Coutinho apresentou os principais legados da II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada entre agosto e setembro de 1968, em Medellín, na Colômbia (veja no texto abaixo) "o maior fruto (da conferência) foi ter dado à luz à Igreja latino americana e caribenha, como uma igreja, de fato, latino americana e carinha", relembrou ele. 

No decorrer da apresentação, Sérgio chamou a atenção também para a influência da conferência de Medellín no trabalho do Papa Francisco, visto que este é natural da região que estava em palta nos debates, "Medellín, na abertura do caminho feito pelo Vaticano II, rompeu a aliança constantiniana que deu a abertura à Igreja na América Latina o perfil de uma igreja livre do poder e próxima dos pobres. Podemos dizer que o Papa Francisco é herdeiro deste modelo", apontou ele. 

Fazendo uma contextualização histórica do clima político-social da América Latina à época da Conferência de Medellín, Doutor Sérgio demonstrou uma relação direta da Igreja de Francisco com a Igreja latino-americana de 1968, "a Conferência acontece num ano de muita agitação sócio-política, no mundo todo e aqui. Na América Latina a gente passava já para o início das ditaduras militares. Na Conferência, foi feita a aplicação do Vaticano II, em que a Igreja faz, profeticamente, uma escolha pelos pobres. Isso faz com que muitos sejam perseguidos e mortos pelas poderio militar vigente". 

O Frei Ricardo Elvis participou da palestra e comentou a importância de se debater as mudanças pretendidas pela Conferência justamente num momento em que o Papa Francisco propõe novos caminhos aos fiéis, "tem uma importância muito grande em nossa história, pois, somente agora que vemos os primeiros frutos desse encontro e o Papa Francisco é mais um desses frutos. Ele, por ser um bispo da América Latina, isso é muito importante pra gente. Não por acaso, mas propositalmente, a escola do nome Francisco. Eu, como Franciscano, posso dizer isso", expressou ele. 

O simpósio acontece hoje, 24, e amanhã, 25, no auditório do ISB // das sete e meia às dez da noite. Veja todos os detalhes no vídeo abaixo e confira mais fotos na galeria! 

 

II Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano

Foi realizada em Medellín, na Colômbia, de 26 de agosto a 4 de setembro de 1968. 16 documentos foram os frutos desta conferência, que se constituiu em uma releitura do Vaticano II para a América Latina e o Caribe. No documento Justiça, 3, já encontramos a palavra-chave que marcará Medellín: libertação - é o mesmo Deus que, na plenitude dos tempos, envia seu Filho para que, feito carne, liberte a todos os homens de todas as escravidões a que os sujeitou o pecado, como a fome, a miséria, a opressão e a ignorância. 
A característica de Medellín é marcada pela situação de um mundo subumano. A visão do Vaticano II foi uma visão otimista e a palavra-chave era desenvolvimento, como fica claro na Carta Encíclica de Paulo VI Populorum Progressio: o desenvolvimento individual e solidário da humanidade. Em Medellín, a teologia do desenvolvimento e da promoção humana cede lugar à teologia e pastoral da libertação. É a descoberta do sub-mundo dos pobres, dos países pobres, que é a maioria da humanidade, e pobres devido a uma situação de dependência opressora que gera injustiça. Impõem-se com a conversão da criatura humana às mudanças estruturais. Não teremos um continente novo sem novas e renovadas estruturas, e sobretudo não haverá continente novo sem homens novos que, à luz do evangelho, saibam ser verdadeiramente livres e responsáveis (Med 1,3).
Essa libertação evangelizadora é vista mais tarde em Puebla em dois elementos complementares e inseparáveis: a libertação de todas as servidões do pecado pessoal e social, de tudo o que afasta o ser humano e a sociedade e tem sua fonte no egoísmo, no ministério da iniquidade; e a libertação para o crescimento progressivo no ser, pela comunhão com Deus e com os homens, que culmina na perfeita comunhão do céu, onde Deus é tudo para todos e não haverá mais lágrima (cf. Puebla, 482). O ponto alto da pastoral libertadora da Igreja encontra-se na clara e profética opção preferencial e solidária pelos pobres. É uma opção pelo “ser mais” e não pelo “ter mais”. 

 

(Com informações de: Vida Pastoral)

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